Festivais de música: Por que ainda são tão importantes?


  Participar de festivais já foi, sim, mais glamoroso do que hoje. Alguns dos maiores nomes da música brasileira se tornaram conhecidos através deles. Os grandes festivais, realizados pelas emissoras de rádio e TV em conjunto, eram vitrines expressivas da nossa arte. E atualmente? Como está este mercado?

Festivais de música: Por que ainda são tão importantes?

Festival de Bandas Novas 2013 em Juiz de Fora - MG

  O mais antigo festival em nível nacional em atividade é o Fenac, Festival Nacional da Canção, que acontece em Minas anualmente. Nele, artistas ainda desconhecidos tem a oportunidade de disputar várias etapas, em cidades diferentes, o gosto do público e dos jurados. A fórmula é simples, a abertura é ampla e qualquer músico pode mostrar ali a sua arte.
  Mas mais do que a premiação, o que realmente torna importante a existência dos festivais é a oportunidade de evidenciar três coisas: primeiro, que a gente pode colocar muita música no nosso mp3. Não precisamos nos restringir ao que toca na novela das nove. Segundo, que tem muita gente excelente fora do mainstream, do grande circuito. E gente que merece, pelo talento, pela organização, pelo profissionalismo que muitos e muitos dos grandes sequer tem. E terceiro porque mostra a fragilidade do mercado cultural brasileiro. Como é difícil chegar a algum lugar se não for através das trocas de favores.
  Quando um festival sério surge, fico contente. Começo a acreditar de novo que é possível reverter esse quadro de estagnação crítica e poética da nossa música. É que sempre escuto um ou outro artista, uma ou outra banda desconhecida com trabalhos dignos, bem gravados, bem compostos e arranjados. Daí se descobrem novos nomes da composição, do ritmo, de instrumentos, de produção. É claro que nem todos vão chegar ao status de celebridade. Mas a verdade é que vários participantes destes eventos nem quer esse título para si. O que eles querem mesmo é apenas ter uma agenda de shows completinha, levando seu trabalho honestamente onde ele alcançar.
  Também nos festivais nos deparamos com situações muito inusitadas: em muitos destes encontros, gente consagrada está ali na platéia, de espectador, ouvinte. Bebendo da verdadeira fonte da música popular. Enriquecendo-se culturalmente, interagindo, participando. Ou como convidados, jurados, críticos, avaliadores com a dificílima tarefa de dizer que este é melhor do que aquele. Mas e as gravadoras? E os grandes produtores, que lançam porcarias pela mídia afora? Onde estão estes "pescadores" que nunca estão entre os cardumes? Certa vez, há alguns anos, ouvi do amigo violeiro, compositor e historiador Chico Lobo que numa tentativa de fazer um festival de viola caipira ele havia levado 16 "nãos" de todas as gravadoras do país. Mesmo assim ele seguiu em frente com o projeto, claro. Mas é fato que se alguma dona da cena estivesse por lá teria garimpado algumas joias.
  Os festivais são, portanto, essa mistura de saudosismo, entusiasmo e uma pitadinha de frustração. Mas não podemos baixar as cabeças. Vamos continuar festivando, até que um dia alguma cabeça realmente pensante entre os poderosos percebam como será lucrativo para eles e vigoroso para o mercado sacudir a bateia por entre estes cascalhos quiçá achando diamantes raros por ali.

Texto por Glever Dutra

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