BPT! entrevista République Du Salém

Foto por Rinaldo de Oliveira.
  Fundada em 2010, em São Paulo, a banda de vintage rock/art rock République du Salém atualmente é formada por Davi Stracci (vocal), Guido Lopes (guitarra/violão/piano) e Nae Silva (bateria). De lá para cá, o grupo vem ganhando cada vez mais espaço no cenário nacional, e até internacional. E, já em seu álbum de estréia, "O Fim da Linha Não é o Bastante", lançado em 2013, garantiu duas pré-indicações para o Grammy Latino, nas categorias Best Brazilian Rock Album e Best New Artist.
  O trio acabou de retornar de uma temporada internacional, onde esteve com Marc Ford (solo/The Black Crowes/Ben Harper) trabalhando em seu segundo disco de inéditas, e agora está de volta ao território brasileiro preparando o lançamento do trabalho, que será homônimamente intitulado e apresentará músicas cantadas em inglês, diferente de seu antecessor.
  Gravado no Compound Studio, em Long Beach, Califórnia, com produção de Marc Ford, que também participa do registro, "Republique Du Salem" tem seu lançamento aguardado para a primeira quinzena de julho, e estará disponível em pré-venda no iTunes em breve. Para saber um pouco mais sobre o que vem por ai, o Bota Pra Tocar! conversou com o vocalista Davi Stracci e o guitarrista Guido Lopes sobre a produção do trabalho e influências da banda.
  Confira abaixo nossa conversa com a banda République Du Salém.

Bota Pra Tocar!: République Du Salém, sejam bem vindos ao Bota Pra Tocar!. Vamos lá... Como surgiu a banda, e em que momento da carreira vocês perceberam que a música poderia ir além de um hobby?

Davi Stracci (vocal): Obrigado! Nos conhecemos em um projeto de um amigo em comum, logo percebemos que tínhamos o mesmo objetivo musicalmente e ideologicamente, a resultante disto foi o ínicio da banda. Entendemos hobby de uma maneira diferente, ou seja, é como encaramos o que fazemos, e desde o início deste trabalho ele tem sido nossa prioridade.

BPT!: Quais bandas e artistas vocês apontariam como as principais influências do grupo?

Davi: Funkadelic, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, The Black Crowes, Nina Simone, James Brown.

BPT!: A banda já conta com um álbum lançado, o elogiado “O Fim da Linha Não é o Bastante” (2013), todo cantado em português; e agora está perto de lançar o homônimo “République Du Salém”, que explora a língua inglesa em suas faixas. Como se deu essa transição?

Davi: Entendemos que este seria o momento certo para esta mudança, pois além de ser a língua materna do produtor, estamos direcionando nosso trabalho para além das fronteiras de língua portuguesa.

BPT!: Além do idioma, de que maneira as novas composições diferem das lançadas anteriormente?

Guido Lopes (guitarra/violão/piano): Olá! Acho que cada trabalho reflete um momento diferente da nossa vida, então esse trabalho apresenta, de certa forma, uma sequência daquilo que apresentamos no álbum de estréia. Demos um passo em direção à sonoridade orgânica que buscávamos, e acho que conseguimos dar um peso maior às nossas referências de Blues e do Southern, algo que no primeiro trabalho talvez não tenha ficado tão perceptível, pelo fato de usarmos uma linguagem mais Hard Rock.

  Ouça abaixo "Take the Risk", primeiro single do álbum "République Du Salém".



BPT!: Como é o processo de composição da banda? Antes dos trabalhos para o novo álbum, vocês já tinham o hábito de compor em inglês?

Davi: Nosso processo de composição surge primeiro com harmonia, depois melodias que recebem arranjos e por último a letra; a mudança da língua não afeta estruturalmente nosso método de composição, não encontramos muitas dificuldades.

Guido: De fato, é algo que funciona para nós; quase a totalidade das ideias harmônicas (bases das canções) partem da guitarra / piano, fecho uma ideia básica e vamos evoluindo em grupo, Davi com as melodias vocais, Nae com a seção rítmica.

BPT!: O álbum "République Du Salém" foi gravado na Califórnia, com o norte-americano Marc Ford (solo/The Black Crowes/Ben Harper) influente guitarrista de blues-rock e produtor. Como surgiu essa oportunidade?

Guido: Foi através de um contato que tive com ele em 2013, a princípio enquanto admirador do seu trabalho; com o tempo desenvolvemos uma proximidade maior, e com isso e ele veio a conhecer nossa música e nosso primeiro álbum. Em 2014 ele demonstrou interesse em produzir o disco, mas não tínhamos previsão de datas ou local. Foi então que achamos uma janela de tempo de 3 semanas, nas quais todos conseguiríamos nos reunir em estúdio para gravar o disco.

BPT!: Recentemente vocês divulgaram um videoclipe para uma versão de "Go Ye and Preach My Gospel", do Reverend Dan Smith, que estará presente no disco. O que essa faixa representa para a banda e como ela acabou entrando para o álbum?

Davi: Foi uma surpresa muito grata, decidimos que faríamos uma homenagem a algum bluesman; no último dia de gravação e de maneira espontânea, gravamos em um único take esta canção que havíamos conhecido a pouco tempo, chegamos a tentar outros takes, mas a energia que foi captada foi insuperável.

  Assista abaixo o videoclipe da versão do République Du Salém para "Go Ye and Preach My Gospel".



BPT!: A faixa em questão foi gravada ao vivo, em um único take. As outras faixas do disco foram registradas no mesmo esquema? E como isso influência na sonoridade do trabalho?

Guido: Boa parte foi feita nos primeiros takes, e quase 100% do disco foi feito "ao vivo" no estúdio; quero dizer, ao invés de usarmos "guias" para depois ir criando as camadas, gravamos simultaneamente, na mesma sala. Embora tínhamos uma preocupação técnica, o foco foi fazer a gravação da forma mais humana e espontânea possível. Enquanto gravávamos bateria, por exemplo, as guitarras que eu tocava já eram mantidas para as sessões futuras. Depois veio o baixo e vocal, e por último os solos e as participações que tivemos no disco, quando percebemos já estávamos com a bolacha pronta  [risos].

BPT!: Além do lançamento do álbum “République Du Salém”, quais os planos da banda para o ano de 2015?

Davi: Divulgar ao máximo este trabalho, há algumas possibilidades de shows fora do Brasil.

BPT!: A Internet hoje em dia é a principal responsável pela distribuição de singles, álbuns e videoclipes, mas também uma grande ferramenta para a pirataria e compartilhamento de forma ilegal ou indesejada pelo artista. Como vocês enxergam a importância e os perigos da Internet para a difusão do som do grupo? Os lançamentos em formatos físicos ainda são importantes ou acabaram virando itens de colecionador?

Davi: Bom tema para se discutir. Entendemos que o mercado fonográfico está em transição, ou seja, o domínio das majors está cada vez mais enfraquecido e com isso há uma democratização ao acesso dos artistas independentes ao mercado, também oferecendo maior autonomia ao consumidor, porém as políticas de royalties não são significativamente adequadas. A internet é o que tem causado toda esta mudança.

BPT!: Atualmente, vocês mantêm projetos paralelos à République Du Salém? E como isso afeta as atividades da banda?

Davi: Eu, no momento não.

Guido: Estou envolvido na produção de alguns trabalhos ainda em 2015 (entre eles, uma banda de rock progressivo/experimental, e uma cantora de pop/rock) e pretendo retomar as gravações de um material solo / acústico, músicas que estão na gaveta há algum tempo (tenho o hábito de fazer gravações quase que diariamente, e uma hora preciso "me livrar" delas [risos]). No entanto, a prioridade agora é o lançamento e a divulgação do novo trabalho da Republique.

BPT!: O que vocês andam botando pra tocar? Há alguma banda ou artista que gostarias de recomendar aos leitores?

Davi: Catálogo da Daptone Records... Charles Bradley e Sharon Jones & The Dap-Kings.

Guido: O novo disco do North Mississipi Allstars com Anders Osborne, lindo demais.

BPT!: Deixem um recado para os fãs da République Du Salém e leitores do Bota Pra Tocar!:

Davi: Vocês são o combustível para que continuemos a fazer aquilo que acreditamos. Meu sincero agradecimento aos fãs e leitores do bota pra tocar, convido-os ao deleite de ouvir uma boa música.

Guido: Obrigado pelo apoio. Em Julho temos um álbum novo chegando, e gostaria de convidar a cada um de vocês para os shows especiais que faremos.... venha dizer um “oi”.

BPT!: République Du Salém, foi um imenso prazer conversar com vocês, muito obrigado pela atenção!

Davi: Obrigado, grande abraço!!!

Guido: Até logo!

  Confira a tracklist e capa de "Republique Du Salem".

01- Take the Risk (4:54)
02- I will wait for You (blues for Nina) (3:58)
03- Path of Cain (5:12)
04- What You’re Like (4:16)
05- Interlude (2:59)
06- Closer (5:32)
07- Down the Narrow Road (2:49)
08- Drink your Wine (5:45)
09- Latindo (3:20)
10- Into the Silence (7:43)
11- Go Ye and Preach my Gospel (3:59)


  Em virtude do lançamento do disco, Marc Ford virá ao Brasil e participará de algumas apresentações com a Republique. Os shows de estréia do álbum acontecem em São Paulo, no dia 8 de julho, no Bourbon Street; e em 16 de julho, no Na Mata Café. A banda também fará uma apresentação no Showlivre.com, no dia 14 de julho, com transmissão ao vivo. Outras datas e cidades serão divulgadas em breve.

  Acompanhe a banda nos links:

Entrevista realizada por Bruce Silva.
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