BPT! entrevista John Wayne

Foto por Filipe Nevares
  Formado atualmente por Fabio Figueiredo (vocal), Rogerio Torres (guitarra), Junior Dias (guitarra), Denis Dallago (baixo) e Edu Garcia (bateria), a banda paulista de metalcore John Wayne nasceu em 2009 e vem, na melhor fase de sua carreira, colhendo os merecidos frutos de muita garra e persistência.
  Na última semana, o grupo lançou seu segundo álbum de estúdio, intitulado "Dois Lados - Parte I", que marca sua estreia pela Deck. Com 10 faixas em sua tracklist, o disco foi produzido por Adair Daufembach e apresenta uma linguagem moderna e agressiva, sem restrição a rótulos ou estilos. As letras, todas de autoria do guitarrista Rogerio Torres, foram inspiradas no livro "A Divina Comédia – Inferno", de Dante Alighieri, e propõem reflexões em bom e forte português. Entre os temas estão superação, o cotidiano, desafios, sofrimento e, claro, o inferno.
  Agora o quinteto está se preparando para, na próxima semana, subir ao Palco Sunset da edição de 2015 do festival carioca Rock in Rio, abrindo a tarde de apresentações para atrações internacionais de peso. Em seguida, a próxima data aguardada com ansiedade máxima é o dia 17 de outubro, quando acontecerá o show de lançamento de "Dois Lados - Parte I", no Carioca Club, dando início a "Dois Lados Tour".
   Para te deixar ainda mais por dentro sobre a trajetória do grupo, suas atuais conquistas e seus planos para o futuro não-tão-distante, o Bota Pra Tocar! realizou uma entrevista exclusiva com a John Wayne, onde falamos sobre a produção do disco, as influências, o mega videoclipe do single "Dois Lados - Parte I [Inferno]", Rock in Rio, show de lançamento e muito mais.
  Confira abaixo nossa conversa com a banda John Wayne.

Bota Pra Tocar!: Galera, sejam bem-vindos ao Bota Pra Tocar!. É uma grande honra recebe-los aqui para essa conversa. Já são 6 anos de estrada, dois álbuns lançados, e a John Wayne se encontra em sua melhor fase. Como surgiu a banda, e quais as principais influências de vocês?

John Wayne: Obrigado a vocês pela oportunidade e espaço. Valeu demais. Bom, a banda surgiu em meados de 2009, por amigos de infância, que já tinham trabalhado juntos em outros projetos, mas nada pesado assim como o John Wayne. Somos velhos conhecidos, estudamos juntos no colégio e tudo mais. As influências variam entre os membros do grupo. Eu [Rogerio Torres] sempre curti metal. Metallica, Megadeth, Pantera, Iron Maiden, Blind Guardian. Já o Junior e o Denis vêm da safra do hardcore brasileiro. Sempre gostaram muito do Dead Fish, Garage Fuzz, Dance of Days, Envydust. O Fah também vêm dessas influências do hardcore, mas ele sempre curtiu som pesado também, como Suicide Silence, Carnifex, SixFeetUnder, Oceano. O Edu é metaleiro, curte thrash metal no geral, Pantera, Slayer, Machine Head. Bem diversificada a coisa aqui [risos].

BPT!: O metalcore é um gênero com uma base de fãs bastante fiel aqui no Brasil, embora possua uma maior visibilidade fora do país, o que leva muitas bandas nacionais a se lançando com letras em inglês, como foi o caso da Ofel, que teve uma maior repercussão após se relançar como Every Man Is An Island. A John Wayne, desde o início, canta em bom e forte português. Em algum momento, houve alguma hesitação quanto a mudar isso? Como é viver de rock pesado no Brasil?

JW: Nunca cantamos em inglês pelo simples fato de que, em português, nossa mensagem é transmitida de forma direta, sem ter que traduzir nada. O cara ouve e entende sua letra. Isso cativa o fã a cantar nos shows, que é o maior intuito de qualquer artista. Não temos nada contra quem compõe e canta em inglês, só não é nem nunca foi nosso objetivo. Se tiver que fazer sucesso fora do país, vai ser cantando em português. Assim como todo segmento, viver da música não é fácil, mas não é impossível. A gente vê muita gente reclamando, mas acho que falta um pouco de garra. O mercado está ruim? Ok, então vamos trabalhar dobrado, triplicado para conseguir viver desse sonho. Viver de rock pesado pode não ser fácil, mas nós estamos há seis anos trabalhando duro para isso acontecer e não vamos desistir. Assinamos com a maior gravadora independente do Brasil, vamos tocar no RIR, ou seja: é possível!

BPT!: Vocês acabaram de lançar um novo álbum, "Dois Lados - Parte I", que marca a estreia do grupo pela Deck . O trabalho chega carregado de protestos e questionamentos nas letras do Rogerio Torres, que ganham ainda mais peso com os amadurecidos vocais do Fabio Figueiredo e um instrumental bastante experimental em comparação aos lançamentos anteriores. Como foi o processo de composição e produção para esse disco?

JW: Dessa vez a gente sentou para compor da forma mais natural possível. A gente simplesmente deixou rolar a vibe. O que sair é o que vai ser. Procuramos não nos prender a estilos ou rótulo, apesar de nos julgarmos, hoje, uma banda de metalcore. As letras foram baseadas na obra de Dante Alighieri, "A divina comédia – Inferno". Então, são letras fortes. A ideia é que em "Dois Lados – Parte II", as letras venham com tema inverso a essa primeira parte.

BPT!: Esse é o primeiro lançamento de estúdio da banda com o Edu Garcia na bateria. De que maneira sua experiência e bagagem influenciaram na sonoridade do trabalho?

JW: Cara, o Edu é um monstro. Um baterista fora da curva. Ele é experiente, toca de tudo, tem groove. É um baita músico. Absorveu bem a proposta da banda, e contribuiu de forma excepcional para esse disco ser o que é.

BPT!: O primeiro single do álbum, a faixa-titulo "Dois Lados - Parte I [Inferno]", recebeu um incrível videoclipe dirigido por Marcelo Borelli com resolução 4k, tecnologia usada em grandes produção do cinema. Como foi trazer um padrão cinematográfico para um clipe da John Wayne?

JW: É sempre maravilhoso trabalhar com o Borelli. Ele é muito talentoso e faz com muito amor todo o trabalho. Por isso sempre supera nossas expectativas. Ele procura sempre usar o melhor da tecnologia e de sua experiência nos trabalhos dele. Dessa forma, todo clipe que ele faz fica com cara de filme de Hollywood. A MB Filmes é uma produtora de primeira e sempre que pudermos vamos trabalhar com eles.



BPT!: Como o próprio título do álbum sugere, e não é segredo, haverá ainda uma continuação, o "Dois Lados – Parte II". Em que passo da produção o trabalho já se encontra? E quais as principais diferenças ele trará em relação a primeira parte?

JW: Sim, terá uma segunda parte. A ideia é que o próximo trabalho aborde o tema inverso a esse. Terá letras mais leves, mas o instrumental continuará pesado. Já estou lendo bastante do Dante Alighieri, que é a principal fonte de inspiração das duas obras, para começar a escrever. Vai ser um trabalho conceitual muito bem pensado. Acabamos de lançar a primeira e já estamos ansiosos para a parte dois [risos].

BPT!: Vocês divulgaram um documentário de três capítulos sobre a gravação do disco, em parceria com a Brutal Kill e produção da Júlio Filmes. Como foi expor esse processo?

JW: Foi algo que nós sempre quisemos fazer. Quem é fã gosta de ficar por dentro dos bastidores das gravações, como a banda é no dia a dia, de ficar perto do ídolo. Falo isso porque eu [Rogerio Torres] curto demais assistir esse tipo de material. Isso aproxima o fã do artista. Esse trabalho foi tão importante para nós que não poderia deixar de ter esse registro. Isso é para a vida toda, sabe?! É como filmar seu casamento ou o nascimento do seu filho. Para nós é tão importante quanto.



BPT!: No dia 24 de setembro, o Palco Sunset do Rock in Rio 2015 receberá grandes nomes como Deftones, Lamb of God e Halestorm, e vocês ficarão responsáveis por abrir as apresentações, ao lado do Project46, representando o rock pesado nacional. Como surgiu o convite para o festival? E o que podemos esperar dessa parceria?

JW: É uma grande honra para nós poder dividir o palco com esses monstros da música e que são nossos ídolos também. O convite veio numa hora ótima para a banda, mas confessamos que foi uma surpresa. Lembro do dia que anunciaram a gente na coletiva de imprensa do Rock in Rio. Quase tive um treco. A vitória é muito grande, não conseguia acreditar. Demorou para cair a ficha. Nós subiremos ao palco para apresentações individuais, tanto nossa, como dos nossos irmãos do Project46. Mas nós vamos fazer uma surpresa muito legal. Vamos tocar dois sons juntos. As músicas serão surpresa, mas podem esperar um show intenso e com muita energia das duas bandas.

BPT!: Outro show importante na carreira do grupo será no dia 17 de outubro, em São Paulo, quando lançarão ao vivo o "Dois Lados – Parte I". Quais as expectativas para a apresentação? Todas as faixas do álbum aparecerão no setlist?

JW: Em 2012, quando lançamos "Tempestade", também no Carioca Clube, ocorreu lotação máxima da casa, foi uma experiência. Dessa vez queremos repetir essa celebração, afinal é uma festa mesmo, nossos fãs comparecem para comemorar conosco esse lançamento e ver shows de bandas amigas da cena independente. Vamos fazer um set list grande, com músicas do novo trabalho e também dos anteriores. Vamos tocar tudo de "Dois Lados – Parte I". Vai ser divertido.

BPT!: A John Wayne sempre foi uma banda bastante presente nas redes sociais e adepta aos lançamento digitais, inclusive o álbum "Tempestade" [2012] esteve liberado para download gratuito durante muito tempo, e toda a discografia está disponível para audição na Internet. Como enxergam a importância desse meiopara a propagação do som do grupo?

JW: Hoje a internet é o principal meio de divulgação para nós e creio que para as demais bandas também. Nós surgimos na internet e fazemos dela a nossa principal interface de comunicação com nossos fãs. É por esse meio que nossos seguidores conseguem ouvir nossos sons, ver nossos clipes, saber da nossa agenda, conversar com a gente, enfim. Não há vida sem internet hoje [risos].

BPT!: Os lançamentos em formatos físicos ainda são importantes para a divulgação da banda, ou acabaram se tornando apenas itens de coleção para os fãs?

JW: Hoje quase todo mundo ouve música no computador, celular ou no carro. Dificilmente alguém compra o CD para ouvir mesmo. Tem fã que gosta de ter o exemplar físico. Eu [Rogerio Torres], por exemplo, sou esse tipo de fã. Dessa vez, nós caprichamos muito no físico. Esse disco saiu no formato digipack, com um encarte muito bonito e essa arte da capa que dispensa comentários. Essa é uma obra que o nosso fã precisa ter, precisar pegar na mão e ver. Está magnífico.

Capa de "Dois Lados - Parte I", por Brian Allen

BPT!: O que vocês andam botando pra tocar? Há alguma banda ou artista que gostarias de recomendar aos leitores?

JW: Nós somos fãs de várias bandas. Gostamos muito de ouvir grupos nacionais. Gostaria de recomendar aqui o som da Black Days. Banda do Bruno Figueiredo (sim, ele é primo do nosso vocalista) junto com nossos amigos e ex-integrantes da banda Every Man Is An Island. Acabaram de lançar um EP muito bacana e com muita qualidade. Eles tocarão no nosso show de lançamento em São Paulo, vai ser uma honra recebê-los.

BPT!: Deixem um recado para os fãs da John Wayne leitores do Bota Pra Tocar!:

JW: Nós só temos que agradecer a todos os nossos fãs pela receptividade de "Dois Lados – Parte I". Está sendo tudo muito positivo e isso é muito gratificante para nós. Vocês são demais, galera. Esperamos todos vocês no Rock in Rio, no show de lançamento dia 17 de outubro e nos demais show da "Dois Lados Tour". Aqui vai o nosso MUITO OBRIGADO!

BPT!: Galera, muito obrigado pela atenção! Grande prazer conversar com vocês. Continuem detonando pelo Brasil!

JW: Nós é que agradecemos pelo espaço. Muito bom ter veículos como esse que apoiam as bandas brasileiras. Muito obrigado e um grande abraço a todos.


  Acompanhe a banda nos links:

Entrevista realizada por Bruce Silva.
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