BPT! entrevista Naissius

Foto por Mariana Caldas
  Se você tem acompanhado o Bota Pra Tocar! nos últimos meses, já deve ter se deparado, e talvez até se estranhado, com o nome Naissius por ai. Esse é o pseudônimo do músico paulistano Vinícius Lepore, ex-Limousine Drivers, que vem fazendo uma MPB alternativa bastante pós-punkista em seu projeto solo.
  Após divulgar os singles "4 Dias" e "Villazón", o artista lançou no início do mês de agosto seu álbum de estreia, intitulado "Síndrome do Pânico". Produzido por Raphael Bertazi, o trabalho conta com 9 faixas inéditas em sua tracklist e participação especial do músico pernambucano China, tocando xilofone em "Bolacha & Café". A capa do disco ficou por conta da fotógrafa Mariana Caldas, com arte de Vitor Fiacadori.
  No momento, o músico está se preparando para o show de lançamento do registro, que acontecerá no próximo dia 18 de setembro, sexta-feira, no Espaço Cultural Puxadinho da Praça, em São Paulo, e aproveitou uma pausinha dos ensaios para contar, com exclusividade ao BPT!, um pouco sobre sua carreira, a produção do primeiro álbum e algumas novidades que estão vindo por ai.
  Confira abaixo nossa conversa com Naissius.

Bota Pra Tocar!: Olá, Naissius! Seja bem vindo ao Bota Pra Tocar!. Pronto para a entrevista? Lá vamos nós. Como se deu seus primeiros contatos com o meio musical? E quais são suas principais influencias?

Naissius: Obrigado pelo convite. É um prazer falar com vocês. A primeira vez que tive um contato com o tal 'meio musical' foi quando eu tinha uns 14 ou 15 anos e vi um cartaz de bandas alternativas de punk rock. Coincidentemente, um cara que estava na loja tocava em uma das bandas e convidou eu e um amigo para irmos ao show. Foi aí que eu entendi que existia esse universo... Minhas principais influências são músicas mais simples e diretas, e isso pode significar tanto o punk e o rock n’ roll em geral como a música brega. Meus pais sempre gostaram das músicas dos anos 60, tantos as nacionais quanto estrangeiras... Elas tem esse apelo pop e uma certa leveza cada vez mais raros. Eu gosto disso.

BPT!: Em 2007, você integrou o quarteto Limousine Drivers, com quem passou pela experiência de ter três EP lançados. Mais de 4 anos se passaram desde o fim do grupo, e as coisa mudaram de rumo. Como foi se lançar como artista solo? E de onde veio o pseudônimo "Naissius"?

N: A banda acabou antes mesmo de lançarmos o último EP, "Temporary Solution" (2011), que na verdade são demos do que viria a ser nosso primeiro disco de estúdio. Quando acabou eu fiquei um tempo sem saber o que faria, musicalmente falando. Então eu fui gravando algumas músicas que viriam a integrar o "Síndrome do Pânico" (2015). A opção de ser ‘solo’ foi simplesmente porque queria ter uma liberdade maior na sonoridade, algo que quando você está numa banda fica mais difícil, pois cada um tem seu instrumento e opinião. Eu queria fazer as músicas o mais próximo possível de como elas soavam na minha cabeça. Já o nome... É uma longa história. Resumidamente, picharam meu nome com uma piada em inglês no elevador do prédio em que eu morava e daí um dia alguém perguntou quem era "Naissius". Aí eu ganhei o apelido entre alguns amigos e decidi usá-lo para o projeto.

BPT!: No início de agosto, foi lançado seu álbum de estreia, "Síndrome do Pânico", que chega recheado de experimentações sonoras e letras intimistas. Como foi o processo de composição e produção do trabalho?

N: Acho que desde os primeiros esboços das músicas até o lançamento foram uns quatro anos... Teve uns espaços grandes entre as gravações. Eu parava de fazer o disco e tentava montar uma banda. Aí a banda dava errado e eu voltava pro estúdio pra gravar mais alguma coisa. Aí tentava montar outra banda... Depois da segunda banda acabar eu percebi que eu tinha que terminar esse disco mesmo, não tinha outro jeito. Foi nessa hora que convidei o (produtor do álbum Raphael) Bertazi para assumir a produção e a partir daí foram 6 meses gravando quase todo dia. Mas o 'gravando' não era só gravar porque as músicas ainda não estavam definidas. Fomos ouvindo discos e discutindo ideias, experimentando sonoridades, timbres, instrumentos... Foi um período pra aprender tudo o que eu devo e não devo fazer na hora de gravar um disco.

BPT!: Todas as músicas presentes no disco foram compostas exclusivamente para ele ou são um apanhado de canções feitas ao longo dos anos? Você está sempre escrevendo coisas novas?

N: Eu queria fazer um disco que tivesse um começo, meio e fim – não necessariamente nessa ordem. Quer dizer, as músicas têm elementos em comum, citações em comum; palavras... É quase um pequeno roteiro, ou um quebra-cabeças. Eu gosto de discos que você vai percebendo algo novo a cada audição, seja nas melodias ou nas letras, e montando um cenário com tudo isso. Ao longo dos anos o repertório mudou um pouco; acho que saíram umas três músicas da ‘primeira leva’ e entraram umas três mais novas. Às vezes acontece de eu compor muito e às vezes fico meses sem compor nada. Tem que ter algo acontecendo, pelo menos aparentemente.

BPT!: Ao longo do álbum, as letras são acompanhadas por instrumentais bastante ricos e diversificados, indo da calmaria de músicas como "4 Dias" e "Bolacha & Café" , ao caos cinematográfico de "Estrela de Cinema Mudo", passando ainda pela melancólica "Meu Bem" e a dançante "O Que Eu Faço". Em que momento, desde o início da composição, as letras se encontram com as harmonias que podemos ouvir? Isso é algo que flui naturalmente ou requer bastante estudo e experimentações?

N: Eu acho que o único ponto de ligação entre as músicas são as letras. Quer dizer, essa sonoridade diversificada que você fala... Ela foi construída. Experimentamos muito ao longo das gravações. "Estrela de Cinema Mudo" tinha algo de música indiana nas primeiras versões, até concluirmos que não era essa a intenção da música, mas reforçar esse 'caos' que você citou. Eu tinha umas ideias que achava bem estranhas e felizmente o Bertazi aceitava o desafio. A intenção ajuda a definir tudo isso. Por mais que as músicas tenham uma série de instrumentos e sonoridades, a intenção das músicas é explicita, mesmo se eu apresenta-las com voz e violão. Daí a importância das letras.

BPT!: "Síndrome do pânico”" é o nome dado a um tipo de transtorno de ansiedade, marcado por crises inesperadas de desespero e medo intenso de que algo ruim aconteça. De que modo essa aflição se relaciona com o disco?

N: O nome veio de uma música que acabou ficando de fora depois do disco estar pronto. Até chegamos a gravá-la, mas no fim achamos que o disco ficava melhor sem ela. Entretanto, desde que fiz a música sabia que o nome seria esse; que ela era a ideia que eu tinha do disco como um todo. Fez sentido pra mim. O disco trabalha com extremos, com músicas mais leves e mais pesadas. Acho que a síndrome do pânico é algo que envolve isso também.

BPT!: O lançamento do disco foi antecedido pela divulgação dos singles "Villazón" e "4 Dias". Agora, com o trabalho inteiramente lançado, qual será o próximo passo? Já há planos para o primeiro videoclipe do projeto?

N: Sim, claro. "Villazón" deve ser a primeira a ganhar um clipe e espero lançar outros. Fora isso eu espero conseguir mostrar o disco no maior número de lugares possível.


BPT!: No próximo dia 18 de setembro, será realizado o show de lançamento do "Síndrome do Pânico", em São Paulo. A apresentação acontecerá no Espaço Cultural Puxadinho da Praça, com entrada gratuita, mas o público poderá pagar a quantia que julgar justa após a apresentação. Quais as expectativas para o evento? Pode nos adiantar um pouco do que irá rolar por lá?

N: As expectativas são as melhores. O fato de o público poder pagar o quanto quiser é algo que me deixa bem mais tranquilo pra estreia. Será a primeira vez que eu mostrarei as músicas ao vivo e o resultado está bem diferente do disco. Toco com uma banda de mais três integrantes, com baixo, guitarra e bateria, então as músicas consequentemente ficam mais pesadas. Além disso, vamos tocar músicas que não estão no álbum. Faz tempo que estamos ensaiando para o show e estamos todos ansiosos pra essa noite.

BPT!: Como surgiu a ideia de apostar em um show no formado "pague o quanto quiser"?

N: Foi uma sugestão do próprio espaço. O Puxadinho é um dos melhores lugares em São Paulo para se conferir novas bandas. É uma marca deles. Hoje em dia os lugares que abrem espaço para artistas autorais querem saber se você já tem público, se leva gente... Pra alguém que acaba de lançar o primeiro disco é desconfortável. Então o fato do público ter essa liberdade é bom pro público, pra casa, pra todo mundo... As pessoas que quiserem ver o show chegam mais cedo e quem quiser chegar depois do show paga para entrar, pois haverá uma festa logo depois da apresentação. Eu acho justo. Espero que isso incentive outros espaços a pensarem da mesma forma.

BPT!: A Internet vem sendo uma grande aliada para novos artistas e bandas, facilitando lançamentos independentes e divulgações, e o formato digital está cada vez mais ganhando espaço sob as mídias físicas. "Síndrome do Pânico" é fruto desse momento e se encontra disponível na rede para audição e download gratuito. Como você enxerga a importância da Internet para a propagação do projeto? Também há perigos nesse meio de exposição?

N: Do meu projeto, particularmente, é muito importante. Sem a internet eu não teria como fazer nada. O disco é completamente independente, então a única forma das pessoas conhecerem o trabalho é através da internet. A única preocupação que tive foi disponibilizar o disco nas principais plataformas para que todo mundo pudesse ter acesso. Entretanto, eu gosto de saber que as vendas em vinil não param de crescer, por exemplo. Acho importante esse outro lado. Esse momento que vivemos ainda me parece nublado. A grande maioria dos artistas, e eu me incluo nisso, não sabe bem como lidar com tantas plataformas que ofereçam sua música de forma gratuita. Ter um projeto musical é algo que leva muito tempo e muito investimento. Leva um tempo para conseguir fazer com que a música se sustente. Tem vários pontos pra serem analisados, mas pelo menos agora temos a possibilidade de mostrar as músicas a um número maior de pessoas.

BPT!: Atualmente, mantém algum outro projeto musical em paralelo ao Naissius? E, além da música, quais outras áreas tem grande presença em sua vida?

N: A música ocupa grande espaço na minha vida. A comunicação, em geral. Vejo na música uma forma de comunicação muito poderosa. Eu procuro atividades que possam agregar novos elementos e pessoas a minha música e a projetos que me atraem. Infelizmente, não tenho tido tempo para me dedicar a outro projeto. É o começo da divulgação desse disco, então quero fazer isso o melhor possível.

BPT!: O que você anda botando pra tocar? Há alguma banda ou artista que gostaria de recomendar aos leitores?

N: Depende do que estou fazendo... Eu escuto de tudo na verdade. De tudo mesmo. Não que eu goste de tudo, mas eu tento entender o que motivou alguém a fazer aquela música e se ela pode me acrescentar alguma coisa. As bandas mais legais que vi recentemente foram em apresentações de rua, na correria do dia a dia. Vi o show de uma garota chamada Bloody Mary Una Chica Band que foi a coisa mais legal que vi em muito tempo. Nem sei se ela tem algo gravado já, mas ao vivo é algo muito poderoso.

BPT!: Deixe um recado para o seus fãs e leitores do Bota Pra Tocar!:

N: Quero agradecer as pessoas que baixaram o disco e tem comentado isso com os amigos. É muito gratificante saber que as pessoas se identificam de uma forma tão sincera. Fica aqui mais uma vez o convite para o show de lançamento do disco, dia 18, no Puxadinho da Praça. Será um prazer recebe-los por lá.

BPT!: Naissius, foi um imenso prazer ter essa conversa com você, muito obrigado pela atenção!

N: Eu que agradeço pelo espaço e atenção. Sucesso para vocês do site e parabéns pelo trabalho.

Síndrome do Pânico

  O álbum "Síndrome" se encontra disponível para audição nas principais plataformas de streaming, como Deezer, Rdio e Spotify. O trabalho também pode ser adquirido em mídia digital no iTunes e Google Play, ou baixado gratuitamente através do site naissius.com.br.
  Ouça o disco abaixo na íntegra.



Acompanhe o artista nos links:
Site Oficial: naissius.com.br
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1 comentários:

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Anônimo
Administrador
11/09/2015 08:39 ×

bloody mary, baby!
.
www.youtube.com/watch?v=6lLxyGkYe9Q

Anônimo
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