3 álbuns com Pedro Menezes (Limusine Carioca)


  "3 álbuns com..." é a mais nova série do BPT!, onde convidaremos músicos dos mais diversos gêneros para listar 3 de seus álbuns preferidos e comentar sobre sua ligação com os trabalhos. O objetivo é ampliar e diversificar nossos catálogos musicais. Sem falar que é legal saber o que anda tocando nos ouvidos dos músicos que escutamos, né?!
  "Então, liga pro pai, fala com a mãe, avisa a tia, chama toda a família" que a Limusine Carioca chegou aqui na série! E o músico Pedro Menezes, baterista da banda, trouxe na bagagem discos que o influenciaram na criação do primeiro álbum do quarteto, "Bombardeio", lançado em setembro . Formado em 2008, na cidade do Rio de Janeiro, o grupo apresenta um rock n' roll com mistura de MPB, blues e rock psicodélico.
  Confira abaixo a participação de Pedro Menezes na "3 álbuns com...".

3 álbuns com Pedro Menezes (Limusine Carioca)

  Bota Pra Tocar!, fiquei e estou bastante alegre com o convite. É com prazer que listo aqui pedras preciosas da Música Universal. Acredito que quem parar para escutá-los com calma, na íntegra e se possível de peito aberto, terá surpresas maravilhosas. Então, vamos seguindo:
  Os 3 álbuns que escolhi fazem parte da minha primeira experiência de criação de um CD, que também é o primeiro CD da banda que toco, Limusine Carioca. Eles me prepararam e me ajudaram na composição da bateria de "Bombardeio", ao mesmo tempo em que me fizeram olhar de outra maneira para a música desses três artistas gigantes e belíssimos.
  Por ordem cronológica (mas que nada diz respeito à intensidade dos álbuns, só uma forma de organizá-los):

The Beatles – The Beatles (White Album) [1968]

  Não vou falar das histórias relacionadas ao álbum, porque isso vocês podem encontrar com facilidade em qualquer site pela Internet. O que me interessa nele são a simplicidade e a sensibilidade musical do Ringo. Cada faixa é uma singularidade, uma atmosfera, no entanto o álbum consegue ter uma consistência rítmica surreal. Podemos escutar, por exemplo, "I Will" e depois "Helter Skelter" sem senti-las totalmente discrepantes.
  De elementos transcendentais e místicos até o cotidiano da fofoca da relação deles com suas mulheres, parece que tudo está nesse álbum: a perfeição da mistura. Como se os Beatles tivessem uma capacidade monstruosa de agenciamento com o caos que os cercava; Inglaterra e Índia, meditação e reconhecimento mundial... O essencial é a Música.
  Coloco em relevo duas faixas que estão no CD2: "Everybody's Got Something to Hide Except Me and My Monkey" e "Savoy Trufle". São duas baterias que me marcaram no trabalho atual, buscando simplicidade e pressão, convicção, "sem paumolecência" como diz meu irmão e parceiro de banda Rafael Caldas; sem falar no timbre da caixa nessas duas faixas, é muita classe!
  Acho que com o Ringo na bateria é um pouco como "Todos podem executar o que faço, mas ninguém faz como eu".
  Boa viagem!

Onde comprar? Digital: iTunes 

Miles Davis – Bitches Brew [1970]

  A aparente confusão presente nesse disco é de romper com o nosso esquema sensório-motor, com nossa sensibilidade. Não é possível prever a próxima nota. Há improvisação e consolidação de temas simultaneamente.
  O que Miles Davis e sua gig conseguiram criar em Bitches Brew é algo que extrapola o que hoje se entende por espetáculo. Eles vão em direção ao Acontecimento. É aí que cada show é um show, no real sentido de "cada um". Na verdade, há infinitos shows, infinitas performances, múltiplos Miles Davis e incansáveis escutas de "Bitches Brew". O Cameleão do Jazz me ensina que é indispensável travestir-se na música; seja lá o que você toca, saiba que não é definitivo, que sempre há um desvio esperando você e antecipando uma nova frase, uma nova melodia, um novo ritmo; não há pedestal que sustente um músico. A música não precisa de fundamentos sólidos, mas de horizontes infinitos para voar.
  Com "Bitches Brew" se percebe que a música não quer a Verdade e não quer representar nada, nada! Que a Música é uma das nossas relações com as forças do Cosmos e do Caos.
  Não se apegue as notas! Mas à viagem:

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Rita Lee – Fruto Proibido [1975]

  Um nome: Franklin Paolillo.
  Se você naturalmente presta atenção na bateria das músicas em geral e nunca escutou esse álbum, eu te garanto (embora nesse mundo nada esteja 100% garantido) que é impossível você não gostar ou não tecer algum comentário sobre ela escutando as músicas de "Fruto Proibido". Se você não presta atenção, duvido muito que não vai prestar a partir desse CD ou nele. Viradas, viradas, viradas, viradas, viradas, viradas, grooves, viradas, viradas, viradas, viradas, viradas, groove... Paolillo precisa voar, voltar à Terra pra voar mais alto.
  Pra relaxar, pra dançar, pra aprender, perceber que não há nada mais Rock que a própria Vida.
  Rita Lee é foda!


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  Gostaram das indicações do Pedro Menezes? Deixem seus comentários, e continuem ligados aqui no Bota Pra Tocar! para as novas indicações da série "3 álbuns com...". Vocês podem se surpreender com o que vem por ai, e  acabar descobrindo uma nova banda preferida!
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