Resenha: Blind Pigs + Evil Conduct no Clash Club SP (14/11/2015)


  Menos de 24 horas depois de uma tragédia que chocou o mundo, e enquanto pedíamos paz, três bandas de punk rock se uniram em São Paulo, no Clash Club, e mostraram que a música não tem barreiras.
  A gravadora independente Hearts Bleed Blue trouxe ao Brasil, entre os dias 10 e 14 de novembro, a lenda do punk holandês, o Evil Conduct, e, para acompanha-los, um dos grandes nomes do punk nacional, Blind Pigs (convidados pelo próprio Evil Conduct). No dia 14 de novembro, as bandas se apresentaram em São Paulo, com abertura dos "novatos" Faca Preta, e fizeram uma verdadeira "festa punk".
  O Bota Pra Tocar! esteve por lá, e você confere um pouco do que rolou logo abaixo.

Faca Preta

  Por volta das 18:20, com a casa ainda vazia, a banda Faca Preta subiu ao palco, se sobressaindo aos problemas técnicos que seriam enfrentados durante toda a apresentação dos paulistanos. Para começar com o pé direito, a paulada "Cães de Rua", seguida de "Donos do Futuro" que puxa um hardcore bem evidenciado no Brasil com a chegada do CPM 22, no começo dos anos 2000.
  Durante o show, a banda mixa bem seu set, apresentando o recém lançado EP homônimo, e, apesar de sua influência de street punk, em musicas como "Até o Último Dia" a banda puxa um riff forte, que soa bastante como The Offspring.
  Na bela "São Paulo", enquanto o público enche a casa, eles declaram seu amor e ódio pela cidade que nunca para, e num belo discurso do vocalista Fabiano Santos, mostram todo seu repúdio à discriminação e apoiam a luta contra a xenofobia.
  O set ainda contou com a novidade "Coração Libertário" (ainda a ser lançada), onde Fabiano divide os vocais com o guitarrista Anderson Boscari, e com uma cover da banda Riot Squad.



Blind Pigs


  Com poucos minutos de atraso, entra os veteranos do Blind Pigs, que em 2015 comemoram 22 anos de banda, puxando a galera, dispersa após a apresentação do Faca Preta, pra colar no palco. Começava aqui uma verdadeira festa punk.
  Já na segunda musica, casa lotada, uma pauleira e a primeira roda. Em "Não Vou Parar de Lutar", a banda mostra a sua força com o público, que em momento nenhum para de agitar, revezando entre moshs e rodas, enquanto engrossam o coro de vozes.
  Emendando sons, os caras vão agitando cada vez mais os legionários, como são chamados os fãs da banda. Fãs esse que não se contentaram com a pista e foram celebrar no palco junto com os ídolos, e tiveram até a oportunidade de participar do show, como em "Sete de Setembro" e "Heróis ou Rebeldes". Com o progresso do show, Henrike também retribuiria o gesto, descendo do palco para cantar "União" com o público próximo ao palco.
  Num show cheio de homenagens, o telão mostrava a capa do lançamento mais recente da banda, "Linha de Frente", estampada com a jaqueta e bottons de Fabiano, guitarrista da banda que faleceu em março de 2015, vitima de um ataque cardíaco. A canção "Sempre Avançar" foi dedicada a ele.
  Num grande mix de sucessos, cantados incessantemente pelos fãs, a banda abre espaço para "The Real Enemy", uma cover de The Business, e que contou com a participação de Joos (Evil Conduct) nos vocais de apoio, aos gritos de "Zika, Zika... Oi!Oi!Oi!" (Zika foi a única palavra aprendida pelos holandeses durante essa passagem pelo Brasil).
  Além de toda festa de uma das maiores bandas do cenário punk rock brasileiro, o Blind Pigs fazia também um show muito político. Toda a apresentação seguiu com grandes discursos do vocalista Henrike, que chegou até a comentar sobre boatos de que "rolaria briga e eventualmente morte" nesse show deles com a banda Evil Conduct, e em "Não Temos Futuro", presente no primeiro álbum da banda, intitulado "DP Caos", aproveitou e lançou a critica: "A realidade do Brasileiro é ser feliz sem ter cultura".
  O resultado final da apresentação do Blind Pigs foi uma grande festa, com uma banda que sabe também como fazer um show bem político, e que pode facilmente manter o nível por mais 22 anos.



Evil Conduct


  20:40 - Luzes se apagam. Tudo pronto para o Evil Conduct, precursores do street punk/oi! na Holanda, e lendas do punk europeu, com mais de 30 anos de estrada, em sua pela primeira vez em SP. Como introdução, um ska/reggae pra deixar a galera dançando animada até que a banda suba ao palco.
  O trio, formado por Han (último membro da formação original), Joost e Phil chegam mostrando que apesar das três décadas de banda, a alma permanece jovem, e embalam um petardo atrás do outro. Músicas marcantes, como "The Voice of Oi", "Skinhead Till I Die" e "Evil Conduct - Punk & Proud" ditam o ritmo desde o início do show, sendo cantadas incansavelmente pelo mar de fãs usando suspensórios e exibindo suas carecas, marca registrada do trio. Fãs cantando, por sinal, ficaram em evidência na clássica versão de "King of Kings", música de Jimmy Cliff gravada nos anos 60, e presente no álbum homônimo do trio punk "King of Kings", lançado em 2007, o mesmo se repetiu no hino "Remember 81".
  Assim como nos shows do Faca Preta e do Blind Pigs, a banda aproveitou o momento festivo para fazer seus agradecimentos, em especial ao Antonio, da HBB, responsável por trazer a banda ao Brasil.
  Ainda falando em festa, Joost interagia com o público o tempo inteiro, inclusive com aqueles que subiam ao palco e "roubavam" seu microfone, parando até mesmo para tirar algumas selfies, e em "Time is Running Out", Henrike, do Blind Pigs, retribuiu a visita.
  Seguindo com o repertório, a banda seguia divulgando as músicas de seu álbum mais recente, "Today's Rebellion", enquanto as intercalava com um extenso repertório de clássicos, resultado de tantos anos de estreia.
  Após cerca de 1 hora de set, e agradecendo ao público, o grupo ainda voltou ao palco para o bis, para encerrar (de forma épica) com "One Day Will Come", e "Nowhere to Go" esse evento grandioso da Hearts Bleed Blue, e provar que mesmo num dia lotado de grandes shows por São Paulo, o punk respira, e principalmente, respira em paz!


  Confira algumas fotos do evento.




  




Texto por Rami Costa (Duff McKagan Brasil). Fotos por Villy Ribeiro.
Proxima
« Anterior
Anterior
Proxima »
Obrigado pelo seu comentário