Resenha: Divinora - Aqui e Agora (2015)


  Formado em 2014 por Felipe Hotz (Garden of the Eatingtapes), no vocal e baixo; Caio Cavalli e Erick Favero, nas guitarras; e Fernando Queixada, na bateria; a banda curitibana de rock Divinora lançou no último dia 27 de outubro seu álbum de estreia, intitulado "Aqui e Agora".
  Com influências do rock distorcido e melodia que passam por OasisNirvanaFoo Fighters e Queens of the Stone Age, o disco chega recheado do mais puro rock, com guitarras distorcidas, solos, e uma ênfase nas melodias, e na mensagem das letras. O significado do nome do álbum passa um pouco por cada uma das músicas, que exploram sentimentos relacionado a vida.
  O trabalho contou com produção, mixagem e masterização de Tiago Brandão, e foi gravado no estúdio Vox Dei, em Curitiba/PR. O resultado disso tudo você confere agora, aqui no Bota Pra Tocar!

Resenha: Divinora - Aqui e Agora (2015)

  Introduzida por guitarras distorcidas, barulho de vozes ao fundo, e um fraseado marcante que volta a se repetir ao longo da faixa, "Onde a Vida Está" foi a música escolhida para abrir o disco e já chega pronta para se tornar uma perfeita abertura de futuros shows do grupo, que mostrando a que veio: "eu sou o começo de algo sem fim". Em seguida, é a vez de "Todo Nosso Tempo", um dos melhores refrões e pré-refrões do disco. Consigo até imaginar quão explosivo seria uma arena cheia, aos pulos e cantando juntos, "Deve ser o efeito de todo nosso tempo, que é sempre pouco demais, que nos deixa pra trás!", sustentados pela bateria de Fernando Queixada. A ligação da música com a sensação do ao vivo é tão grande que ela serviu como trilha sonora do primeiro vídeo da série "takeDivinora", com imagens do quarteto na estrada e bastidores do primeiro show da turnê de divulgação do novo disco, no Rio Grande do Sul.


  A terceira faixa é "Hoje Não Amanhece Mais", escolhida como primeiro single do "Aqui e Agora" com a missão de abrir as portas para o que ainda estava por vir. Talvez a escolha deva-se a sua sonoridade radiofônicas. Porém, agora, com o registro inteiro para degustar, a canção parece um pouco deslocada em relação a sonoridade proposta pelo trabalho, embora, obviamente, ainda conte com os vocais característicos de Felipe Hotz, o que resgata essa ligação. O ponto forte está em sua letra e na variação rítmica ao longo da faixa. Música pra fechar os olhos, cantar junto baixinho e senti-la com toda intensidade.
  A transição de "Hoje Não Amanhece Mais" para "Ouvi Você Dizer" é bastante sutil. Tanto é que, ao soar de seus primeiros acordes, cheguei a acreditar que poderia ser um desfecho extra pra canção anterior. O destaque aqui fica por conta da linha de bateria pra lá de dinâmica, o que, infelizmente, não acontece em todas as faixas. Dando sequencia, chegamos a "Viver Pra Sempre", que, sonoramente, aparece entre as mais fracas do registro, embora ainda pontue em alguns detalhes, como a letra romântica, daquelas pra se dedicar ao seu grande amor na legenda de uma bela foto no Instagram, e os solos de Erick Favero, que, além do ganho para o instrumental, parecem dialogar com os vocais.
  A próxima música é "Não Podemos Voltar", onde a banda pontual mais uma vez com a transição delicada, quase imperceptível. Com guitarras leves, quem volta a ganhar espaço mais uma vez é a bateria de Queixada, que ficou com toda a responsabilidade de ditar as variações de intensidade da canção.
  O vocal arrastado e calmo, em "Até Onde Vai", deixa a atenção toda voltada para sua letra, que figura entre as mais bonitas do trabalho, se não, a mais bonita. Outro detalhe digino de reconhecimento são os solos de guitarra que conduzem durante toda a faixa até um harmonioso encerramento do instrumental, com direito a uma bela abertura de vozes.
  Quando vi o título "Get Away" na tracklist, antes mesmo de escutá-la, precocemente, logo pensei: "essa faixa vai fazer o álbum perder pontos comigo", ao acreditar que se tratava de uma música em inglês no meio de outras dez cantadas em português. No entanto, para minha grande felicidade, eu estava enganado.
  Se fosse pra rolar uma roda-punk nos shows da Divinora, com certeza, seria durante a execução dessa música. Com um instrumental relativamente simples, marcado pelas batidas densas em downpiking, quase sempre alternando em apenas dois acordes, "Get Away" revela os vocais mais agressivos de Felipe, que ganha ainda mais força com o encorpamento do instrumental e a explosão de energia do quarteto durantes os refrões. Embora ainda olhe meio torto para o título, a faixa revela porque precisava se destacar entre as demais. Curta, pesada e direta. Talvez tenha se tornado a minha favorita do álbum.
  Seguindo, temos "Nunca é Sempre". Sim, o título soa um pouco estranho a primeira vista, e ele se repete exatas 14 vezes ao longo da canção. Mas o grupo consegue brincar com essa redundância sem torná-la enjoativa. O refrão, embora simples, é forte e marca o ponto alto da faixa. O instrumental me lembra bastante a introdução da música "Clots", do Bumblefoot (ex-Guns N' Roses/Art of Anarchy),  que é, sem dúvidas, um excepcional instrumentista. Ponto pra Divinora!
  Em "Palavras Iguais", o vocal sai do primeiro plano, e dá espaço para as guitarras de Caio Cavalli, que montam uma bela cama para os solos e frases de Erick, com bends delirantes. Um instrumental excelente completado por uma festa dos pratos de Fernando.
  Assim como a abertura, o grupo também soube escolher bem a faixa de encerramento. "Sem Horizonte" deixa um pouco de lado a urgência do rock n' roll, e apresenta um encontro perfeito de todos os integrantes. Um verdadeiro dialogo entre guitarras, baixo e bateria, pronto pra te deixar lamentando pelo disco ter chegado ao fim.
  "Aqui e Agora" é um excelente álbum de estreia, e, se bem trabalhado, tem tudo para firmar a Divinora entre as novas grandes bandas do cenário nacional. O pouco tempo de carreira do grupo e deixado de lado com o resultado do trabalho. Vale o play, e, futuramente, quando estiver disponível, vale a compra!

Onde ouvir?: YouTube
Onde comprar?: Ainda não disponível para compra


Texto por Bruce Silva.
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2 comentários

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Benhur Castilhos Borges
Administrador
20/11/2015 19:44 ×

Rock com alma, bem tocado bem cantado tri bom!!!

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Benhur Castilhos Borges
Administrador
20/11/2015 19:44 ×

Rock com alma, bem tocado bem cantado tri bom!!!

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