BPT! entrevista Pop Javali


  Formado em 1992, por Marcelo Frizzo, no baixo e vocal; Jaéder Menossi, na guitarra; e Loks Rasmussen, na bateria; o power trio paulista Pop Javali vem há mais de 20 anos seguindo os passos de grandes trios como Rush, Motörhead, Cream, Emerson, Lake & Palmer, Triumph, ZZ Top, The Police, e espalhando rock autoral pelo Brasil e, recentemente, pelo mundo.
  A banda conta com dois álbuns de estúdio lançados: "No Reason To Be Lonely" (2011) e "The Game Of Fate" (2014). Este segundo contou com produção dos irmãos Andria e Ivan Busic do Dr. Sin, e tem conquistado a mídia de todo o país, sendo até considerado um dos melhores álbuns de Hard/Heavy dos últimos anos pela revista Roadie Crew. Na mesma publicação, o disco rendeu ao Pop Javali três indicações entre os Melhores de 2014: Melhor Álbum, Melhor Baixista e Melhor Baterista.
  Em outubro de 2015, ainda colhendo os frutos do último lançamento, o grupo realizou a sua primeira turnê pela Europa. Foram ao todo nove shows por cinco países: Itália, Suíça, Inglaterra, Alemanha, e Holanda. De volta ao Brasil, os músicos trouxeram na bagagem não apenas mais experiência, novas amizades e a sensação de um sonho realizado, mas, sobretudo, uma emoção sem precedentes por ter sua música bem recebida do outro lado do oceano.
  Para saber mais sobre essa experiência, o Bota Pra Tocar! realizou uma entrevista exclusiva com o Pop Javali, onde falamos sobre a turnê, influências, planos para o futuro, lançamentos, e muito mais.
  Confira abaixo nossa conversa com o Pop Javali.

Bota Pra Tocar!: Pop Javali, sejam muito bem-vindos ao Bota Pra Tocar! Sabemos que a banda surgiu em 1992 e se mantém ativa e produtiva até hoje, com a mesma formação. Quais são as maiores diferenças entre trabalhar com música nos anos 90 e hoje em dia? E como foi acompanhar e se adaptar as mudanças da industria fonográfica?

Pop Javali: Muito obrigado pela oportunidade! É um prazer e uma honra falar com vocês! A maior diferença dos anos 90 para os dias atuais é que aumentou muito o número de remédios que temos que tomar diariamente [risos]. Não somos mais tão "resistentes", por assim dizer [mais risos]. Mas, falando sério, o que mudou foi o mercado, a indústria fonográfica e entretenimento de uma forma geral. A nossa forma de tocar continua sendo a mesma. Não modernizamos a banda com equipamentos eletrônicos; ainda mantemos a essência “guitarra-baixo-bateria” no formato clássico. Fazer música, especialmente o rock, sempre foi e continua sendo uma batalha difícil. É muito prazeroso e gratificante para o músico poder tocar o que gosta, mas exige muito trabalho e dedicação. O mercado tornou-se mais exigente, já que com o advento da era digital, todo mundo tem mais acesso à informações, todo mundo "entende" de música. Isso aumenta nossa responsabilidade, o que é muito bom! A adaptação mais significativa é que nos dias de hoje é mais fácil divulgar o trabalho. Mas não se pode enganar achando que ser conhecido é o bastante. É preciso arregaçar as mangas e suar muito. Muito estudo, dedicação e shows, que é, essencialmente, a fonte de renda do músico.

BPT!: Quais foram as grandes influência de vocês nesses 24 anos de estrada? E o que os levaram a querer seguir a carreira musical?

PJ: Acredito que um músico já nasce músico, é uma coisa de aptidão, dom natural. Seguir uma carreira musical depende de você identificar esse dom, dedicar-se a aperfeiçoá-lo e dispor-se a fazer disso uma profissão, com todas as exigências que qualquer atividade profissional exige. O que aconteceu com a gente foi exatamente isso. Nossas influências claramente vêm da época de nossa formação musical, ou seja, as bandas clássicas dos anos 70 e 80: Led Zeppelin; Black Sabbath, Deep Purple, Iron Maiden. Mas estamos antenados na cena contemporânea também e sempre buscamos extrair boas ideias, tais como Porcupine Tree e Aristocrats, por exmelo, que privilegiam um instrumental requintado.

BPT!: Apesar de ser um power trio, as apresentações de vocês sempre geram elogios sobre a riqueza dos arranjos e o instrumental muito bem trabalhado. Em algum momentos, vocês já pensaram em adicionar músicos ou instrumentos diferentes para encorpar ainda mais a sonoridade da Pop Javali? E como isso funciona em estúdio, vocês contam com colaborações de outros músicos ou tudo é gravado como trio?

PJ: Sinceramente, nunca senti essa necessidade. Sou mais "em time que está ganhando não se mexe". Sem contar que nossa sintonia não é apenas musical, mas principalmente pessoal, haja visto que estamos juntos há tanto tempo com a mesma formação, coisa rara no meio. Já em estúdio a coisa é diferente. É sempre interessante contar com colaboração de outros músicos. Estamos trabalhando neste sentido para o próximo álbum.

BPT!: Em outubro do ano passado, vocês estiveram em uma turnê pela Europa, uma grande realização almejada por muitas bandas, e ainda arrancaram elogios de sites internacionais especializados no meio musical, sendo até apontados como uma das grandes surpresas do festival alemão Razorblade Festival pelo The Pit. Como surgiu essa oportunidade e quais principais diferenças puderam notar em relação ao cenário musical brasileiro?

PJ: A tour europeia foi sensacional! Foi toda planejada e organizada pelos nossos parceiros e managers, Susi e Eliton Tomasi, da Som do Darma, responsáveis pelo sucesso da turnê. Realmente fomos muito bem recebidos! A principal diferença em comparação com o Brasil é que o músico de Rock é "peixe dentro d’água" na Europa. Lá o Rock faz parte da cultura do povo. E o respeito pelo artista é algo incomparável. O tratamento é de admiração pela arte, percebe-se facilmente como eles valorizam um show como um evento cultural, um privilégio. Infelizmente, o brasileiro, em sua maioria, não está – ainda – ensinado a valorizar cultura e arte.

BPT!: Apenas em 2011, já com 19 anos de estrada e uma carreira estabilizada, a Pop Javali lançou seu álbum de estreia, "No Reason To Be Lonely", reunindo músicas compostas ao longo desses quase 20 anos. O que resultou na demorar em realizar esse lançamento? Houve dificuldade em fazer o material antigo soar atual?

PJ: As dificuldades eram muitas nos anos 90, ainda mais para uma banda do interior, com pouquíssimos recursos. Além disso, em razão de projetos particulares paralelos, ficamos um bom tempo com o projeto "na gaveta". Outro fator foi que não queríamos gravar um material sem o respaldo de uma gravadora, e isso somente aconteceu em 2011, com o apoio da Oversonic Music que acreditou no nosso trabalho. De qualquer forma, acabou sendo melhor assim, pois pudemos compilar o que tínhamos de melhor em termos de composições ao longo de quase 20 anos (à época), além da maturidade musical e pessoal que tínhamos atingido na ocasião.

BPT!: Atualmente, vocês vem rodando o país divulgando seu segundo álbum, "The Game of Fate" (2014), que foi produzido pelos irmãos Andria e Ivan Busic, do Dr. Sin, e rendeu ao Pop Javali três indicações entre os Melhores de 2014 na votação realizada entre os leitores da revista Roadie Crew. Qual será o próximo passo na carreira da banda? Algum novo lançamento para 2016?

PJ: Sim! O ano 2016 será de muito trabalho. Encerrando o ciclo do "The Game Of Fate" lançaremos dois clipes. Alguns shows na Europa foram gravados e estamos selecionando material para um álbum ao vivo, que deve sair ainda no primeiro semestre. E o novo álbum de inéditas começa a ser gravado em breve em estúdio. Além de shows, que não podem parar.

  Assista abaixo o videoclipe do single "Healing No More".


BPT!: Como é o processo de composição da Pop Javali? Vocês estão sempre escrevendo coisas novas, ou precisam tirar um tempo específico para compor antes de gravar um álbum?

PJ: A gente gosta muito de compor. Sempre foi assim. Nós fazemos tanta música que nem sempre todas são aproveitadas, acabam ficando "na manga" para um projeto futuro. A gente até brinca que é difícil ter um ensaio em que alguém não apresenta uma nova ideia ou composição. É algo natural pra gente.

BPT!: Talvez ainda seja um pouco cedo para pensar, mas, no próximo ano, vocês irão completar 25 anos de estrada, colecionando histórias e grandes feitos. Há alguma coisa diferente que gostariam de fazer para celebrar esse marco?

PJ: Com certeza... Mas não podemos estragar o prazer da surpresa, não é mesmo? [risos]

BPT!: A Pop Javali surgiu em uma época em que a Internet ainda não era tão popular, mas hoje a banda já se encontra presente em diversas redes sociais, além de ter seus álbuns disponíveis para audição gratuita online. Como enxergam a importância desse meio para a propagação do som do grupo? Há também desvantagens?

PJ: A importância está principalmente na divulgação sem fronteiras. Foi surpreendente e gratificante chegar na Europa e ver como as pessoas já conheciam nossas músicas, vídeos e história da banda. Isso era inimaginável no início dos anos 90. Acho muito positivo!

BPT!: Com os downloads e streamings, os lançamentos em formatos físicos vem perdendo espaço no mercado, apesar dessa mudança, os CDs ainda são importantes para a divulgação da banda, ou acabaram se tornando apenas itens de coleção para os fãs?

PJ: Não se vive mais de venda de CDs, isso é fato. No entanto ainda é essencial ter esse material em mãos, quer seja para um admirador ou colecionador, quer seja como o "cartão de visitas" da banda, para imprensa e show business em geral. Ademais, sentimos na Europa que o público ainda gosta muito de comprar CDs, ter o material físico em mãos, autografado pelo artista. Não consigo imaginar uma carreira sem esse material, apesar das mídias digitais.

BPT!: O que vocês andam botando pra tocar? Há alguma banda ou artista que gostarias de recomendar aos leitores?

PJ: A viagem pela Europa nos proporcionou um "banho" cultural e tivemos o privilégio de conhecer muitas bandas novas. Fizemos muitos amigos e dividimos palcos com músicos excelentes. Particularmente destaco duas bandas de metal pesado, cujos integrantes acabaram se tornando grandes amigos. São Stonehawk, da Holanda, e Delirious, da Alemanha.

BPT!: Deixem um para os nossos leitores e os fãs da Pop Javali:

PJ: Muito obrigado por acreditar e manter acessa a chama do Rock ‘N’ Roll. Quem quiser nos acompanhar no Facebook é só curtir a 'page': facebook.com/popjavali, e mandar seu recado. Gostamos muito de interagir com os amigos.

BPT!: Foi um prazer ter essa conversa com vocês, muito obrigado pela atenção, e continuem espalhando rock por esse mundo!

PJ: Somos nós que agradecemos pelo privilégio. E desejamos cada vez mais sucesso. Contem sempre conosco! Abraço.

Acompanhe a banda nos links:
Site Oficial: popjavali.com.br
Facebook: facebook.com/popjavali
Twitter: twitter.com/popjavali
YouTube: www.youtube.com/user/popjavali92

Entrevista realizada por Bruce Silva.
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