3 álbuns com Eduardo Brechó (Aláfia)


  "3 álbuns com..." é a mais nova série do BPT!, onde convidaremos músicos dos mais diversos gêneros para listar 3 de seus álbuns preferidos e comentar sobre sua ligação com os trabalhos. O objetivo é ampliar e diversificar nossos catálogos musicais. Sem falar que é legal saber o que anda tocando nos ouvidos dos músicos que escutamos, né?!
  Após um breve período em pausa, Eduardo Brechó, vocalista e guitarrista da Aláfia, marca a volta da série com três discos que conheceu em sua adolescência e o acompanharam por toda sua trajetória. Atualmente, a Aláfia, que mistura gêneros musicais da cultura negra, vem divulgando seu novo single, "O Primeiro Barulho", uma homenagem ao rap nacional.
  Confira abaixo a participação do Brechó na "3 álbuns com...".

3 álbuns com Eduardo Brechó (Aláfia)

  Discos me dão banhos de poeira e me lavam a alma. Cuido deles e vice versa. Um clichê seria dizer que este é um difícil desafio. Outro, seria eleger discos raros e/ou que são tidos como marcos importantes na história da indústria fonográfica. A pesquisa cuida disso. Eu prezo pelo bom uso de clichês e, no meu afeto, estas justas escolhas que fiz são clichês do que me representa. Óbvias. Estes discos me acompanham há tanto tempo que nem sei.

Thaíde & DJ Hum - Brava Gente [1994]

  Este saiu em 94. Eu tinha dez, onze anos. Uma ou outra música tocava na programação do DJ Chuck da Califórnia FM e eu gravava tudo em fita. Quando conseguia ligar e falar na radio, pedia pro DJ falar o nome das músicas deste álbum e eu escolhia alguma que ainda num tinha pra tentar completar o álbum na fita. Lembro de todas as faixas: "Entrevista", "Parábolas dos Bichos", "Brava Gente", "Jazz Complexo", "Verdadeira História", "Soul do Hip Hop", etc... Eu sonhava com este disco sem nunca ter visto a capa. Sonhei que ele tinha uma capa vermelha. Não esqueço. Era vidrado em Thaíde & DJ Hum.

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Mandrill - Composite Truth [1973]

  Foi mais ou menos com 13 anos. Eu não conhecia a banda, não conhecia o disco e nem a música. Conhecia funk e soul mais óbvios dos bailes domésticos e da vida cotidiana. James Brown pra caramba. Este disco tava numa estante que meu avô tava reformando na marcenaria e eu peguei pra mim. Eram alguns discos escritos Eliete no rótulo com caneta Bic. Era uma bela meia dúzia de discos, dentre os quais também estava "O Bidu", de Jorge Ben. Aquele som mexeu muito comigo. Profundamente. Acho que até hoje no Aláfia busco um pouco da atmosfera do Mandrill. A sonoridade era muito pesada, complexa e consistente. Uma música muito autêntica e importante. Uma banda internacional de Bed-Stuy - NY que influenciou de Roy Ayers a Earth, Wind and Fire.

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Consciência Humana - Entre a Adolescência e o Crime [1997]

  Amo. Arrepia desde a Intro. Tenho a fita ainda. Voltava na caneta pra num gastar pilha. Eu e meus primos cantando todas de cabo a rabo. 1996/1997 até hoje se marcar. Muito pesado. Entrou no momento de mercado que não havia um disco assim do que se configurava como o gangsta rap nacional. E era complementar a obra do Sistema Negro e do Gog, por exemplo, que estavam arregaçando naquele momento.
  A produção do DJ Raffa é épica e as vozes cheias de ódio de Aplike e WGi foram a trilha sonora de muitas tardes da minha vida. Não esqueço o show que vi deles no Botinha. Até o Air Jordan branco e vermelho do WGi na época se tornava referência. O encarte é foda. Tava tudo ali. Os time de quebrada, a mula, maconha, pixação, hip hop, a banca, o convívio e a amizade. Parece que faz muito sentido o que está dito. As dúvidas que passávamos e o ódio à polícia. A coisa de botar São Mateus no mapa daquela maneira... Eu, em Ribeirão Preto, ficava imaginando.
  Musicalmente, cheio de sintetizadores e samples que vão de Funkadelic a Jorge Ben, passando por Ohio Players e Issac Hayes ,citando sambas como "Menor Abandonado" do repertório de Zeca Pagodinho do disco "Patota de Cosme" que também foi muito importante na minha vida e que ouvia na casa da minha tia Tonha com 5, 6 anos. Quando ouvi este refrão cantado no som do "Consciência Humana", senti um pertencimento que até então não conhecia. Ligou muitos pontos na minha noção de raiz e música negras. São coisas que ainda pulsam como influência monstra.

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  Gostaram das indicações do Eduardo Brechó? Deixem seus comentários, e continuem ligados aqui no Bota Pra Tocar! para as novas indicações da série "3 álbuns com...". Vocês podem se surpreender com o que vem por ai, e  acabar descobrindo uma nova banda preferida!
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