Resenha: Supercolisor no Festival Sem Paredes 2015 (15/11/2015)


  O último final de semana foi de festa na cidade mineira de Juiz de Fora, quando recebeu, nos dias 14 e 15 de novembro, a edição de 2015 do Festival Sem Paredes, realizada na Praça Antônio Carlos. Foram dois dias de muita música, culinária, oficinas, artesanatos e intervenções artísticas. E o Bota Pra Tocar! compareceu ao segundo dia do evento para presenciar a apresentação da banda manauara Supercolisor.
  Atualmente moradores de São Paulo, o grupo alugou um carro, lotou com seus equipamentos, e enfrentou mais de seis horas de viagem em direção a Manchester Mineira, para trazer a turnê de lançamento de seu mais recente álbum, "Zen Total do Ocidente", que saiu em maio deste ano, pela Invern Records.
  Antes de sua apresentação, ainda com a banda local The Basement Tracks despejando rock psicodélico no palco, Ian Fonseca, vocalista e pianista; Zé Cardoso, vocalista e guitarrista; Diego Souza, baixista e backing vocal; e Natan Fonseca, baterista; circulavam entre o público, onde pude me aproximar para trocarmos algumas ideias, fui presenteado com uma cópia autografada do excelente novo disco do quarteto, e torcemos juntos para que a chuva, que se fez presente durante toda a tarde, não retornasse.
  Pouco tempo depois, tive que me despedir, e, pontualmente às 20h, horário marcado para o início do show, o grupo já estava no palco, dotados de seus instrumentos e determinados a ganhar o público presente no local, que era pra lá de diversificado. Antes dos primeiros acordes, a multidão ainda estava tímida, o que mudou após o pedido de Zé Cardoso para que se aproximassem do palco, sendo prontamente atendido. Sentado ao piano, Ian Fonseca dedica a apresentação às vítimas do rompimento das barragens em Mariana/MG e do atentado terrorista em Paris, na França, e anuncia, então, a música de abertura: "Caronte", primeira faixa do "Zen Total do Ocidente", que aborda, sutilmente, o tema morte.
  Já na primeira canção, ficou evidente como as músicas da Supercolisor ganham peso e uma nova dinâmica ao vivo, completando impecavelmente a experiência de quem só conhecia o grupo pelos trabalhos em estúdio, e agradando também os novos ouvintes, que responderam com aplausos.
  Com um repertório reduzido, comum em festivais, o grupo ainda arranjou espaço para apresentar músicas de seu álbum de estreia, "Paranormal Songs", de 2012, e a primeira delas não demorou a aparecer. Após "Caronte", "Memórias do Subsolo", faixa de abertura do trabalho, deu continuidade ao show. A excelente e atípica linha de bateria fez com que os olhares se voltassem as baquetas de Natan, o grande destaque da música, que conta ainda com um belo jogo de vozes e uma mágica explosão melódica no refrão.
  Entre uma canção e outra, o quarteto era aplaudido, além de receber elogios gritados do meio da platéia. No entanto, nesse momento, o show foi interrompido por uma briga no local, tirando a atenção do palco, e assustando os presentes. Mas a banda soube contornar a situação e ainda foi ovacionada pelo publico após fazer declarações de repúdio a violência. E foi com a execução de "Planetário", single do novo álbum, que os olhares e ouvidos tornaram a se voltar para a apresentação, que seguiu ainda com as belas "Três Luzes Fixas" e "Insône", esta dedicada aos casais presentes, que logo se abraçaram e trocaram beijos.



  A presença do quarteto no palco é um verdadeiro samba, guiado pela versatilidade. Hora Diego assume a guitarra e cede o baixo a Zé, hora comanda as teclas, com Ian ao violão. E o jogo de cintura parecer ter chamado a atenção dos que os assistiam, e não foi difícil perceber os comentários de aprovação. E foi numa dessas trocas que surgiu "Sim", com uma sonoridade levada pelo folk e uma das letras mais bonitas da noite, oferecida sob um instrumental delicioso.
  O espetáculo começa a se inclinar para o seu fim. "Valentina", uma das letras mais doces do "Zen Total do Ocidente", aqui, ganha peso, comandado pela guitarra de Zé e mantido pela linha de baixo de Diego. A dupla traz também um marcante arranjo de vozes ao fundo, que permeia por toda a canção, até se encontrar com o vocal grave de Ian no final. Em seguida, "Relógio da Torre", segunda faixa do "Paranormal Songs", é quem dá o tom de encerramento, trazendo o encontro dos músicos em um instrumental tenso e caótico. A canção instigante foi a escolha certa para deixar qualquer um lamentando o final do show.
  Não era segredo pra Supercolisor que a grande maioria dos presentes no festival sequer tinha ouvido falar da banda. Mas isso não os intimidou, e o triunfo na missão de ganhar o público estava explicito a cada aplauso e grito, e confirmado quando "Bandas de Manaus" foi citado em um dos painéis disponíveis para que a platéia escrevesse as coisas que desejavam que tivesse mais em Juiz de Fora.
  Confira um vídeo e algumas fotos da apresentação.


Agradecemos a todos que comparecerãm no Festival foi lindo!!Fiquem com um gostinho de quero mais, essa foi a banda Supercolisor formada em Manaus pousou em JF para compor o belo time de programação. #FestivalSemParedes #OcupaJF #TNB #RedeBrasilFestival
Posted by Festival Sem Paredes on Domingo, 15 de novembro de 2015





  Abaixo você pode conferir o setlist completo do show da Supercolisor no Festival Sem Paredes 2015.

01- Caronte
02- Memórias do Subsolo
03- Planetário
04- Três Luzes Fixas
05- Insône
06- Sim
07- Valentina
08- Relógio da Torre


Texto por Bruce Silva. Vídeo e fotos de Festival Sem Paredes.

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